Demanda por exorcismo cresce assustadoramente ao redor do mundo, diz Vaticano - Atualidades

Demanda por exorcismo cresce assustadoramente ao redor do mundo, diz Vaticano



A demanda por rituais de exorcismo está crescendo como resultado de um declínio na fé cristã e da ascensão da internet, que proporciona fácil acesso à magia negra, ao ocultismo e ao satanismo, disse uma conferência do Vaticano para padres exorcistas na última segunda-feira, 16 de abril.
A quantidade de pessoas que pedem para serem libertadas do maligno domínio do diabo é tão grande que alguns sacerdotes estão agora realizando orações de libertação – um primeiro passo para o exorcismo – por telefone, segundo informações do portal britânico The Telegraph.
“Há padres que realizam exorcismos em seus telefones celulares. Isso é possível graças a Jesus”, disse o cardeal Ernest Simoni, um albanês que foi torturado e aprisionado pelas autoridades comunistas, mas que após sua libertação realizou diversos exorcismos. Suas declarações pegaram alguns prelados de surpresa, com padres pontuando que conduzir um exorcismo remotamente não seria sábio porque as pessoas que estão possuídas frequentemente se contorcem violentamente e têm que ser fisicamente contidas para evitar que se machuquem.
“Sacerdotes oram com as pessoas ao telefone para acalmá-los, mas se você não estiver lá, não poderá controlar os aspectos físicos”, disse o professor Giuseppe Ferrari, um dos organizadores do evento e especialista em seitas demoníacas. “Alguns exorcistas dizem que é eficaz. Se é ortodoxo ou correto, não sei dizer”, acrescentou.
Mais de 250 sacerdotes, teólogos, psicólogos e criminologistas de 51 países se reuniram em uma universidade católica em Roma para o início da conferência de uma semana, a única do gênero no mundo. O conceito de possessão demoníaca pode ser considerado pelos agnósticos e ateus com ceticismo, até escárnio, mas é um assunto de seriedade mortal para a Igreja Católica e outras ramificações do cristianismo.
Esta é a 13ª vez que a conferência anual é realizada na Universidade Pontifícia Regina Apostolorum – a primeira foi em 2004 – e o número de participantes cresce a cada ano. Os tópicos a serem discutidos nesta semana incluem: “Anjos e demônios na Sagrada Escritura”; “Como reconhecer obsessões diabólicas”; “Bruxaria na África”; “Cultos afro-americanos na América Latina” e “Pornografia pedófila usada em rituais satânicos e ocultistas”.
A programação prevê ainda o testemunho perturbador de uma jovem que foi supostamente sequestrada e usada em um ritual satânico. “A crença na magia negra e em satanás – ou ‘o Príncipe do Mal’ como um padre o chamava – está aumentando e, com isso, a necessidade de exorcismos”, disseram os delegados.
Na Itália, alega-se que na última década o número de pessoas pedindo exorcismos para se livrar da infestação demoníaca triplicou, chegando meio milhão de casos. O país agora possui cerca de 300 padres exorcistas, com centenas mais em outras partes do mundo.
O Vaticano insiste que toda diocese católica do mundo deve ter um sacerdote treinado como exorcista. Para expulsar o diabo, os sacerdotes católicos usam o Ritual Romano do Exorcismo, que foi elaborado pelo papa Leão XIII em 1884.
A oração, que só deve ser proferida por um sacerdote, pede a Deus, a Cristo e a todos os santos que “repilam os ataques e enganos do diabo”, que também é referido como “a serpente mais astuta”.
“A demanda está crescendo, absolutamente”, relatou o padre Anthony Barratt, um sacerdote britânico que vive em Albany, no Estado de Nova York (EUA). “Eu acho que é em parte devido à internet, o que torna o (satanismo) tão acessível. Filmes e programas de televisão também são um fator. Há um fascínio”, ponderou.
Os participantes da conferência alegaram que, como descrito nos filmes de Hollywood, as pessoas que são possuídas realmente falam em línguas e vomitam unhas e cacos de vidro durante exorcismos. Elas desenvolvem força sobrenatural, suas vozes mudam para um grunhido grave e eles se tornam capazes de falar línguas que nunca estudaram.
“Geralmente eles falam latim, hebraico e aramaico”, disse padre espanhol Pedro Barrajon, ex-organizador da conferência. “Se você lhes mostrar um objeto sagrado, como um rosário, uma cruz ou uma foto da virgem Maria, eles entram em choque e começam a gritar”, acrescentou.
Especialistas salientam que é possível discernir a diferença entre pessoas que sofriam de problemas psiquiátricos e aquelas que haviam caído nas garras diabólicas do Príncipe das Trevas.
“Existe um protocolo. Uma pessoa será encaminhada pelo pároco. Pode então haver uma avaliação por um psicólogo. Eles podem ser bipolares ou pode haver problemas com o abuso de drogas, o que causa sérios danos ao cérebro. É um processo demorado”, disse o padre Barratt. “Apenas um número muito pequeno de pessoas precisa de um exorcismo”, frisou.
Ao lamentar o fato de que a mídia às vezes “sensacionaliza” exorcismos, a Igreja também parece deleitar-se no apelo sombrio do fenômeno. O professor Ferrari expressou certo orgulho ao dizer aos participantes do evento que há uma referência à conferência no filme O Ritual, de 2011 estrelado por Anthony Hopkins e Ciaran Hinds, sobre um seminarista americano que se dirige a Roma para aprender sobre exorcismos.
“Ela não precisa de um padre, ela precisa de um psiquiatra”, diz o seminarista cético ao personagem de Hopkins, exorcista veterano, em referência a uma suposta vítima em um dos diálogos do filme. Os prelados da conferência, no entanto, garantem que não têm tempo para tais dúvidas, pois o diabo é real, não apenas uma metáfora do mal ou um personagem folclórico.
Tais opiniões são compartilhadas pelo papa Francisco, que frequentemente faz referências à literalidade de satanás em suas homilias e discursos. “Ele é maligno, não é como névoa. Ele não é uma pessoa difusa, ele é uma pessoa” , disse ele a um canal de televisão católico em dezembro do ano passado. “Estou convencido de que nunca se deve conversar com satanás – se você fizer isso, estará perdido”.
Ao discursar na conferência, o padre José Enrique Oyarzun, professor de teologia e filosofia, disse: “Precisamos confrontar a realidade de algo que sempre esteve presente na vida da Igreja”. O diabo é capaz de comportamentos que são “inexplicáveis pela ciência”, acrescentou.
“O diabo ruge ao nosso redor como um leão. O pai da mentira é cada vez mais procurado. A tecnologia digital está revigorando-o e afastando as pessoas. O fenômeno é muito, muito difundido”, reiterou.
O cardeal Simoni, de 89 anos, passou 28 anos em campos de trabalhos forçados sob o regime comunista de Enver Hoxha por se recusar a renunciar à sua fé. Ele foi libertado da prisão em 1981, mas teve que pregar secretamente até que o regime finalmente desmoronasse em 1990.
Desde então, ele realizou exorcismos em muitas pessoas, incluindo os muçulmanos albaneses, que ele disse que vieram a ele implorando por ajuda. Em sua participação, o cardeal deu uma descrição vívida de um exorcismo que ele disse que realizou.
“Havia uma mulher muito alta. Ela deve ter dois metros de altura. Foram necessárias seis pessoas para segurá-la em uma cadeira. Depois de horas e horas de luta, consegui banir o mal. Eu expulsei os demônios. Este é o poder de Deus”, resumiu.
Para os verdadeiros crentes, ainda há muito trabalho a fazer, disse o cardeal: “Há milhões de pessoas possuídas por satanás. Mas quando satanás ouve a palavra de Deus, ele fica aterrorizado”, finalizou.
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